quarta-feira, 24 de junho de 2026

Novos desafios da Humanidade

 



Bem-vindos aos Novenáticos!

Nos últimos anos, a inteligência artificial passou a fazer parte do nosso dia a dia. Muitas pessoas pensam que ela surgiu em 2022 com a popularização do ChatGPT, mas a verdade é que sua história começou muito antes.

A inteligência artificial é resultado de décadas de estudos em computação, matemática, linguística e ciência cognitiva. O que aconteceu recentemente foi que essas tecnologias se tornaram acessíveis ao grande público.

E justamente em um momento em que a IA está cada vez mais presente em nossas vidas, o Papa Leão XIV publicou a encíclica Magnifica Humanitas, refletindo sobre a dignidade humana e os desafios éticos das novas tecnologias.

Ao mesmo tempo, eu estava lendo o livro Inteligência Artificial como Ferramenta de Evangelização, de Dom Edson Oriolo. E foi interessante perceber como as reflexões do livro e da encíclica dialogam entre si.

Dom Edson começa mostrando que a inteligência artificial não surgiu do nada. Antes dela vieram a internet, os mecanismos de busca, os assistentes virtuais, os sistemas de recomendação e tantas outras tecnologias que transformaram a maneira como nos comunicamos.

O autor também propõe uma reflexão sobre aquilo que chama de espiritualidade digital. Afinal, se passamos uma parte significativa da nossa vida no ambiente digital, como podemos viver nossa fé nesse contexto?

Um dos pontos mais interessantes do livro é que ele não apresenta a inteligência artificial como uma inimiga da evangelização. Pelo contrário. Dom Edson mostra que ela pode ser uma ferramenta valiosa quando utilizada corretamente.

Hoje já existem plataformas que auxiliam pesquisadores, catequistas e evangelizadores a encontrar documentos da Igreja, organizar conteúdos e aprofundar estudos. Essas ferramentas podem economizar tempo e facilitar o acesso ao conhecimento.

Mas existe uma diferença muito importante entre utilizar uma ferramenta e depender dela.

Foi justamente isso que me chamou a atenção ao ler também a encíclica do Papa Leão XIV.

O Papa não condena a tecnologia. Ele não diz que devemos abandonar a inteligência artificial ou rejeitar os avanços tecnológicos. O que ele faz é um convite ao discernimento.

A tecnologia deve servir ao ser humano. O ser humano não deve se tornar servo da tecnologia.

Parece simples, mas essa frase levanta questões profundas.

Hoje ouvimos falar de conceitos como transumanismo e pós-humanismo.

O transumanismo defende o uso da tecnologia para ampliar capacidades humanas. Pensemos, por exemplo, em próteses avançadas, implantes ou recursos tecnológicos que auxiliam pessoas em suas limitações.

Já o pós-humanismo vai além. Ele questiona até mesmo os limites da condição humana e imagina uma integração cada vez maior entre seres humanos e máquinas.

Nesse contexto surge uma pergunta importante: até que ponto a tecnologia pode nos ajudar sem alterar aquilo que somos?

O Papa recorda que a dignidade humana não depende da nossa eficiência, da nossa capacidade de processamento ou da quantidade de informações que conseguimos armazenar.

Nós não somos apenas dados.

Não somos algoritmos.

Não somos máquinas biológicas.

Somos pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus.

E talvez seja justamente aí que esteja a principal contribuição da Igreja para esse debate.

Enquanto muitos discutem o que as máquinas serão capazes de fazer no futuro, a Igreja continua perguntando: o que significa ser humano?

Essa reflexão também me fez pensar na minha própria experiência utilizando inteligência artificial.

Aqui nos Novenáticos, eu utilizo IA para organizar ideias, pesquisar temas, estruturar roteiros e auxiliar na produção de conteúdo.

Mas ela também me ensinou uma lição importante: a inteligência artificial pode errar.

Durante uma série sobre os Santos Auxiliadores, por exemplo, surgiu uma informação incorreta sobre a composição do grupo tradicional dos quatorze santos.

O mais curioso é que o erro não estava totalmente inventado. A IA utilizou informações verdadeiras, mas as conectou de maneira equivocada, chegando a uma conclusão errada.

Esse exemplo mostra exatamente por que a inteligência artificial não substitui o discernimento humano.

Ela pode ajudar.

Pode acelerar processos.

Pode sugerir caminhos.

Mas continua sendo necessária a pesquisa, a revisão e a responsabilidade de quem produz conteúdo.

E isso vale não apenas para a evangelização, mas para qualquer área da vida.

Talvez o verdadeiro desafio da nossa época não seja aprender a conviver com máquinas inteligentes.

Talvez o verdadeiro desafio seja continuar agindo com inteligência humana.

Uma inteligência capaz de discernir.

Capaz de amar.

Capaz de assumir responsabilidades.

Capaz de reconhecer a verdade.

A tecnologia continuará evoluindo.

Novas ferramentas surgirão.

Novas perguntas aparecerão.

Mas a missão da Igreja permanece a mesma: anunciar Cristo em todos os tempos e em todos os ambientes, inclusive no ambiente digital.

Por isso, acredito que não devemos ter medo da tecnologia.

Também não devemos idolatrá-la.

Devemos utilizá-la com sabedoria.

Como uma ferramenta.

Como um instrumento.

Como algo que pode servir à evangelização, desde que nunca ocupe o lugar que pertence à pessoa humana.

E você? Como enxerga o uso da inteligência artificial na evangelização e na vida cotidiana?

Deixe sua opinião nos comentários.


E agora quero colocar uma pergunta:

A tecnologia foi criada para economizar nosso tempo, mas estamos usando esse tempo para aquilo que realmente importa?

Parece uma pergunta simples, mas ela toca em algo muito profundo da nossa vida.

E, para responder essa pergunta, precisamos voltar um pouco na história.

Antes da Revolução Industrial, as pessoas viviam aquilo que podemos chamar de tempo da natureza. O dia começava quando o sol nascia. O trabalho terminava quando o sol se punha. As estações determinavam o plantio e a colheita.

Até mesmo a Bíblia reflete essa visão. Os textos sagrados falam da terceira hora, da sexta hora, da nona hora. Não falam: "Isso aconteceu às quinze horas e dezessete minutos".

Não.

O tempo era percebido de maneira diferente da nossa.

Mas tudo começou a mudar com a Revolução Industrial.

As máquinas surgiram para aliviar o trabalho pesado e aumentar a produção. Ao mesmo tempo, surgiu uma nova relação com o tempo. O relógio passou a organizar a vida.

Hora para entrar na fábrica.

Hora para sair.

Hora para produzir.

Hora para descansar.

Nascia aquilo que podemos chamar de tempo mecânico.

Mas hoje parece que estamos vivendo uma nova transformação. Uma terceira transformação.

Talvez possamos chamá-la de tempo digital.

Não contamos apenas horas. Contamos minutos, segundos, curtidas, visualizações e notificações. Vivemos cercados por alertas, mensagens e atualizações constantes.

Isso nos leva a uma reflexão.

As máquinas surgiram para facilitar o trabalho humano.

Os computadores surgiram para agilizar cálculos e processos.

A internet facilitou a comunicação.

Os smartphones colocaram milhares de ferramentas na palma da nossa mão.

A inteligência artificial promete automatizar tarefas e acelerar ainda mais processos.

Todas essas tecnologias possuem uma promessa em comum: economizar tempo.

Mas aqui surge uma pergunta importante:

O que estamos fazendo com o tempo que estamos ganhando?

Porque parece que aconteceu algo curioso.

Quanto mais ferramentas criamos para economizar tempo, mais a sensação de falta de tempo aumenta.

Economizamos tempo no trabalho.

Economizamos tempo na comunicação.

Economizamos tempo nas pesquisas.

Mas, muitas vezes, usamos esse tempo economizado consumindo ainda mais tecnologia.

Talvez esse seja um dos grandes desafios da nossa época.

A tecnologia foi criada para nos servir.

Mas até que ponto estamos servindo à tecnologia?

Hoje vemos pessoas incapazes de ficar alguns minutos sem olhar o celular.

Pessoas que sentem necessidade constante de verificar notificações.

Pessoas que recebem tantas informações ao longo do dia que já não conseguem organizar tudo aquilo que aprenderam.

E isso gera outro problema: ansiedade, estresse,

esgotamento, e a sensação de estar sempre correndo atrás de alguma coisa.

Mas existe algo que raramente é valorizado hoje: o ócio.

Eu não estou falando de preguiça.

Estou falando daquele tempo necessário para pensar.

Para contemplar.

Para refletir.

Para simplesmente observar.

Muitas das grandes descobertas da humanidade nasceram em momentos de reflexão.

O ser humano não foi criado para produzir sem parar.

O cérebro precisa de pausas.

Precisa de silêncio.

Precisa de momentos em que, aparentemente, não está fazendo nada.

Porque é justamente nesses momentos que, muitas vezes, surgem as melhores ideias.

Isso vale também para a vida espiritual.

Não basta consumir conteúdo religioso o dia inteiro.

É preciso rezar.

É preciso silenciar.

É preciso escutar Deus.

A oração exige algo que o mundo digital nem sempre favorece: a contemplação.

Mas existe outra questão que me chama a atenção.

Quando olhamos para o futuro, vemos cada vez mais tecnologias assumindo tarefas repetitivas.

Vemos inteligências artificiais auxiliando profissionais.

Vemos máquinas realizando atividades que antes exigiam muito esforço humano.

Isso nos leva novamente à mesma pergunta:

O que faremos com o tempo que essas tecnologias nos devolverão?

Porque existem coisas que não podem ser terceirizadas.

Não podemos terceirizar uma amizade.

Não podemos terceirizar o amor.

Não podemos terceirizar a educação dos filhos.

Não podemos terceirizar a convivência familiar.

Não podemos terceirizar a nossa vida espiritual.

A tecnologia pode ajudar, mas ela não substitui aquilo que é profundamente humano.

Talvez o futuro não precise apenas de pessoas mais produtivas.

Talvez o futuro precise de pessoas mais presentes.

Presentes para a família.

Presentes para os amigos.

Presentes para a comunidade.

Presentes para Deus.

E aqui eu quero voltar para algo muito importante.

Quando Jesus conta a parábola dos talentos, Ele nos ensina que aquilo que recebemos de Deus não deve ser enterrado.

Deve produzir frutos.

E eu fico pensando que, no meio de tantas transformações tecnológicas, existe algo que continua sendo o nosso bem mais precioso: a nossa alma.

Se eu pego a parábola dos talentos e substituo os talentos por almas, então o Senhor deu uma alma para cada um.

Um escondeu a alma.

Enterrou a alma com medo de perdê-la.

O outro colocou a alma a serviço, mas só conseguiu devolver uma alma: a dele mesmo.

Já o outro conseguiu, além daquela, trazer mais nove.

Então ele tinha dez almas.

Nessa adaptação da parábola, o mais importante não é que você traga muitas almas para Jesus.

Mas que você mantenha a sua com Ele.

Que você não tenha medo de perdê-la.

Que você não a esconda.

Que você possa usá-la para servir e amar a Deus.

E, se vierem frutos, melhor ainda.

As tecnologias vão mudar.

Os aplicativos vão mudar.

As redes sociais vão mudar.

As inteligências artificiais vão mudar.

Mas a nossa alma continua sendo aquilo que Deus nos confiou para cuidar.

Por isso, a grande pergunta talvez não seja:

"A inteligência artificial substituirá o ser humano?"

Ou:

"A tecnologia vai dominar o mundo?"

Talvez a pergunta mais importante seja:

O que estamos fazendo com o tempo que a tecnologia nos deu para cuidar daquilo que realmente importa?

Porque, no final das contas, a tecnologia deveria nos ajudar a sermos mais humanos.

Mais presentes.

Mais atentos.

Mais capazes de amar.

Mais capazes de servir.

Mais capazes de caminhar para Deus.



Humanidade Digital: O que estamos cultivando?

Nos nteriores, nós falamos sobre Inteligência Artificial, evangelização digital, tecnologia e sobre uma pergunta muito importante:

A tecnologia foi criada para economizar nosso tempo, mas estamos usando esse tempo para aquilo que realmente importa?

E hoje eu quero dar mais um passo nessa reflexão.

Porque talvez a pergunta não seja apenas quanto tempo temos.

Talvez a pergunta seja:

O que estamos cultivando com o tempo que recebemos?

E para responder isso, precisamos falar sobre uma palavra muito importante:

cultura.

Hoje, quando ouvimos a palavra cultura, pensamos em livros, música, arte ou conhecimento.

Mas a origem da palavra cultura está ligada ao ato de cultivar.

Primeiro cultivávamos a terra.

Plantávamos sementes.

Cuidávamos delas.

Esperávamos crescer.

Depois passamos a falar de cultivar ideias, conhecimentos, amizades, virtudes e até mesmo a vida espiritual.

E isso nos ensina uma verdade simples:

Aquilo que cultivamos cresce.

Se eu cultivo amizades, elas crescem.

Se eu cultivo conhecimento, ele cresce.

Se eu cultivo a oração, minha vida espiritual cresce.

Mas se eu cultivo distrações, ansiedade e superficialidade, essas coisas também crescem.

E talvez este seja um dos maiores desafios do mundo digital.

Porque nunca tivemos acesso a tanta informação.

Nunca tivemos tantos vídeos.

Tantos cursos.

Tantos livros.

Tantas redes sociais.

Tantos aplicativos.

Mas informação não é a mesma coisa que formação.

E formação não é a mesma coisa que sabedoria.

Nós podemos passar horas consumindo conteúdo e, ainda assim, terminar o dia sem ter aprendido algo verdadeiramente importante.

Porque aprender exige reflexão.

Exige organização.

Exige tempo.

E exige algo que a nossa sociedade muitas vezes esqueceu:

o ócio.

No episódio passado, falamos que o ser humano precisa de momentos de pausa.

Momentos para contemplar.

Momentos para pensar.

Momentos para simplesmente existir sem estar produzindo alguma coisa.

Hoje parece que precisamos justificar cada minuto da nossa vida.

Se estamos parados, sentimos culpa.

Se estamos descansando, sentimos culpa.

Se estamos em silêncio, sentimos culpa.

Mas o cérebro humano não funciona como uma máquina.

Ele precisa de pausas.

Ele precisa organizar as informações recebidas.

Ele precisa transformar informação em conhecimento.

E conhecimento em sabedoria.

Talvez seja por isso que tantas pessoas se sintam cansadas hoje.

Não porque trabalham mais do que as gerações anteriores.

Mas porque recebem muito mais informações do que conseguem processar.

E aí surge um problema que aparece também no projeto Recalculando.

Muitas pessoas acreditam que precisam de mais tempo.

Mas será que precisam mesmo?

Ou será que precisam de mais organização?

Pense comigo.

Quantas vezes dizemos que não temos tempo para rezar?

Mas passamos vários minutos, ou até horas, navegando pelas redes sociais.

Quantas vezes dizemos que não temos tempo para ler?

Mas encontramos tempo para assistir dezenas de vídeos curtos.

Quantas vezes dizemos que não temos tempo para conversar com a família?

Mas respondemos mensagens durante o dia inteiro.

Talvez o problema não seja a quantidade de tempo.

Talvez seja a direção que damos a ele.

E aqui eu quero trazer um exemplo muito bonito.

São Carlo Acutis.

Quando as pessoas falam dele, geralmente dizem que ele era o santo da internet.

Mas eu não gosto muito dessa definição.

Porque Carlo não ficou santo por usar computador.

Ele ficou santo porque colocou a tecnologia a serviço de algo maior.

Jesus era o centro da vida dele.

A tecnologia era uma ferramenta.

Ele utilizou seus conhecimentos para evangelizar.

Criou conteúdos.

Organizou informações.

Divulgou os milagres eucarísticos.

Mas nunca permitiu que a tecnologia ocupasse o lugar que pertence a Deus.

E talvez essa seja uma grande lição para nós.

A tecnologia não é o problema.

A questão é quem ocupa o centro da nossa vida.

É Deus?

Ou são as notificações?

É Deus?

Ou são os algoritmos?

É Deus?

Ou é a necessidade constante de aprovação?

Porque tudo aquilo que colocamos no centro da nossa vida acaba moldando a nossa cultura pessoal.

E cultura é cultivo.

Por isso, quando falamos de uma humanidade digital, a grande questão não é se teremos mais tecnologia no futuro.

Nós teremos.

A inteligência artificial continuará evoluindo.

Os computadores serão mais rápidos.

Os aplicativos serão mais inteligentes.

As ferramentas serão mais eficientes.

Mas a verdadeira pergunta é:

Que tipo de humanidade estaremos cultivando junto com essa tecnologia?

Uma humanidade mais ansiosa?

Mais isolada?

Mais dependente?

Ou uma humanidade mais humana?

Mais presente?

Mais solidária?

Mais próxima de Deus?

A internet pode ser um espaço de evangelização.

As redes sociais podem ser um espaço de evangelização.

A inteligência artificial pode ser uma ferramenta de evangelização.

Mas nenhuma dessas coisas substitui a amizade.

A família.

A comunidade.

Os sacramentos.

A oração.

O encontro com Cristo.

Porque existem coisas que simplesmente não podem ser terceirizadas.

Não podemos terceirizar o amor.

Não podemos terceirizar a amizade.

Não podemos terceirizar a fé.

Não podemos terceirizar a salvação da nossa alma.

No final das contas, a tecnologia pode economizar nosso tempo.

Mas somente nós podemos decidir o que fazer com ele.

Podemos gastá-lo.

Ou podemos cultivá-lo.

E aquilo que cultivamos hoje será aquilo que colheremos amanhã.

Por isso, talvez a pergunta mais importante desta série não seja:

"O que é Inteligência Artificial?"

Nem:

"A tecnologia está nos dominando?"

Talvez a pergunta mais importante seja:

O que eu estou cultivando com a vida que Deus me deu?

Porque a tecnologia muda.

As plataformas mudam.

Os algoritmos mudam.

Mas a nossa alma continua sendo o bem mais precioso que Deus nos confiou.

E cabe a nós cultivá-la.

Um beijo, um abraço, que a paz de Cristo esteja contigo e o amor de Maria. 💖

 
Rascunho e Revisão: Lih
Texto e diagramação: ChatGPT
Episódio disponível no Spotify e no YouTube.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Indicação Catecismo da Igreja Católica

Bem-vindos aos Novenáticos!

Hoje eu quero encerrar a série sobre livros para quem está começando na Igreja Católica.

Nós já falamos sobre:

Para Estar com Deus, do Padre Francisco Faus;

Cristianismo Puro e Simples, de C. S. Lewis.

E hoje vamos falar de um livro que eu mesma demorei para começar a ler:

o Catecismo da Igreja Católica.


O medo que eu tinha

Durante muito tempo eu achei que o Catecismo era um livro reservado para especialistas.

Eu imaginava que só catequistas, coordenadores de pastoral, teólogos ou pessoas muito avançadas na fé conseguiam lê-lo.

Talvez você também pense assim.

Mas a verdade é que o Catecismo não é um livro proibido nem inacessível.

Ele foi escrito justamente para explicar a fé da Igreja.


O que eu faria se estivesse começando hoje

Se eu estivesse voltando para a Igreja hoje, faria um caminho mais organizado.

Primeiro:

Para Estar com Deus

Porque ele ensina a rezar e a criar uma rotina de leitura espiritual.

Depois:

Cristianismo Puro e Simples

Porque ajuda a compreender racionalmente os fundamentos da fé cristã.

E então:

Catecismo da Igreja Católica

Nessa altura você já terá:

* lido um pouco da Bíblia;

* criado uma vida de oração;

* compreendido melhor os fundamentos do cristianismo.

O Catecismo deixa de parecer um monstro de mil páginas e começa a fazer sentido.


A importância da Bíblia

Uma observação importante:

Esses livros não substituem a Bíblia.

Toda leitura espiritual deve acontecer em paralelo com a Sagrada Escritura.

Você pode:

* ler a liturgia diária;

* fazer a Lectio Divina;

* seguir um plano de leitura da Bíblia;

* ler os Evangelhos.

O importante é que a Palavra de Deus continue sendo o centro.


Como ler o Catecismo

Muita gente vê o tamanho do livro e se assusta.

Mas não é necessário ler tudo de uma vez.

O Catecismo pode ser:

* estudado aos poucos;

* consultado quando surge uma dúvida;

* lido em pequenas metas diárias.

Dez páginas por dia parecem pouco.

Mas dez páginas por dia terminam um livro.


O que me ajudou

Recentemente comecei a estudar o Catecismo de forma mais sistemática através do curso "Catequese com Farofa".

Antes disso eu já tinha assistido:

* palestras;

* lives;

* cursos;

* formações diversas.

Mas eu sentia que meu conhecimento estava muito fragmentado.

Eu sabia várias coisas, mas não enxergava a ligação entre elas.

O estudo do Catecismo ajuda justamente nisso:

ele apresenta a fé católica de forma organizada.


Minha experiência

Quando voltei para a Igreja, em 2017, eu entrei muito pela razão.

Eu queria entender.

Queria estudar.

Queria saber por que a Igreja ensina determinadas coisas.

Por isso demorei bastante para encontrar um caminho de formação mais estruturado.

Se alguém tivesse me apresentado esses três livros naquela época, talvez eu tivesse economizado alguns anos de busca.


Conclusão

Então, se você está chegando agora na Igreja Católica e me pergunta:

"Lih, por onde eu começo?"

Minha resposta seria:

1. Para Estar com Deus;

2. Cristianismo Puro e Simples;

3. Catecismo da Igreja Católica.

Tudo isso caminhando junto com a leitura da Bíblia.

E lembre-se:

Você não precisa entender tudo de uma vez.

A vida espiritual é uma caminhada.

E cada página lida é mais um passo nessa direção.


Rascunho e redação inicial: Lih

Texto final e diagramação: ChatGPT 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Resenha: Cristianismo Puro e Simples

Bem-vindos aos Novenáticos!

Hoje nós vamos falar do livro Cristianismo Puro e Simples, de Clive Staples Lewis. Ele nasceu em 1898 e faleceu em 1963. Foi professor e tutor na Universidade de Oxford até 1954, quando passou a assumir a cadeira de Inglês Medieval e Renascentista da Universidade de Cambridge, posição que ocupou até a aposentadoria. Escreveu mais de trinta livros e se tornou um dos maiores escritores da sua época.

Cristianismo Puro e Simples tem um pouco desse estilo de ensaio. Esse livro é dividido em quatro livros, ou quatro partes. O primeiro livro: O Certo e o Errado como Indícios para a Compreensão do Sentido do Universo. O segundo livro: No que Acreditam os Cristãos. O terceiro livro: Conduta Cristã. E o quarto livro: Além da Personalidade ou os Primeiros Passos na Doutrina da Trindade.

Esse livro é uma introdução ao cristianismo para quem chegou agora à Igreja Cristã. Ele traz exemplos bem do nosso cotidiano e tem uma linguagem muito fácil. Eu gostei muito de ler.

Nestes ensaios, o que mais me chamou a atenção foi o capítulo sobre o casamento. Ele começa pedindo desculpas porque não era casado quando escreveu esse livro. A primeira edição do livro é de 1942. Ele se casou em 1956.

Ele fala do que considerava ser um dos motivos do divórcio: a paixão. Você se apaixona pela outra pessoa e, quando a paixão acaba, é como se tivesse acabado aquilo que você sente por ela. Então você se divorcia e vai casar com outra pessoa.

E o que realmente mantém um casamento não é a paixão, mas o amor. A paixão vai, aos poucos, se transformando em amor. Então, se isso não acontece, acaba havendo o divórcio. Ou mesmo quando isso acontece, a pessoa pode acabar preferindo a paixão ao amor.

O perigo também gera uma forte emoção, muito próxima da paixão. A adrenalina causada pela paixão, essa necessidade de adrenalina, seja ela pela paixão ou por estar correndo perigo... Quanto esse vício impulsiona as pessoas a fazerem certas coisas?

Como é não estar apaixonado? Como é não estar em perigo? Por que precisamos disso o tempo todo? Por que confundimos felicidade com euforia? Por que confundimos paixão com amor?

Quando tudo isso acaba e, teoricamente, você está tranquilo, sem todas essas sensações, acha que está tudo errado. Não necessariamente.

Então eu fiquei pensando muito nisso.

Depois, Lewis fala das três virtudes: o amor, a esperança e a fé. Ele usa dois capítulos só para falar da fé. O quão difícil é explicar a fé em Deus. E Lewis consegue fazer isso em dois capítulos.

Na última resenha que eu fiz, falei do livro Para Estar com Deus, do padre Francisco Faus. E depois dessa leitura eu recomendo Cristianismo Puro e Simples.

Se vocês querem resenha dos outros livros que li do Lewis, me contem!

Eu devia ter começado a ler Lewis por Cristianismo Puro e Simples.

Agora vou ler alguns trechos para vocês.

Página 148:

"A ideia de que 'estar apaixonado' é a única razão para permanecer casado realmente não deixa espaço para o casamento como contrato ou promessa. Se o amor for tudo, então a promessa não pode acrescentar nada; e, se não acrescenta nada, então não pode ser feita. O curioso é que os próprios amantes, enquanto permanecerem realmente apaixonados, sabem disso melhor do que aqueles que falam muito sobre o amor. Como Chesterton destacou, pessoas apaixonadas têm a tendência natural de se amarrar com promessas, haja vista que as canções de amor por todo mundo estão cheias de juras de fidelidade eterna. A lei cristã não exige do amor algo que é alheio à sua natureza: exige apenas que os amantes levem a sério algo que a própria paixão os anima a fazer."

Página 114:

"(...) Ele quer que sejamos simples, sinceros, afetuosos e capazes de aprender, como é o caso das boas crianças; mas também quer cada partícula de inteligência que tivermos para estarmos alertas em sua obra e bem treinados para a batalha. (...)"

Página 48:

"(...) Agora é claro que é perfeitamente verdade que a segurança e a felicidade só podem vir de indivíduos, classes e nações que são honestos, jogam limpo e são gentis uns com os outros. (...)"

Um beijo, um abraço, que a paz de Cristo esteja contigo e o amor de Maria.

domingo, 31 de maio de 2026

Resenha: Para estar com Deus

Bem-vindos aos Novenáticos!

E hoje nós vamos comentar o livro: Para estar com Deus do padre Francisco Fausto.

O padre Francisco Faus nasceu em Barcelona em 1931 e faleceu em 2025.

Ele foi sacerdote da prelazia do Opus Dei. Era formado em direito e doutor em direito canônico. Ele conviveu com São José Maria Escrivá e escreveu mais de vinte obras sobre espiritualidade cristã. É conhecido por algumas novenas que escreveu e especialmente a novena do trabalho. Morou no Brasil desde 1961 na cidade de São Paulo.

Esse livro, Para estar com Deus, é uma parceria da Cultor de Livros como a editora Cleofas. Então ele tem apresentação do professor Felipe Aquino.

Ganhei esse livro de uma pessoa muito querida que também que incentivou a criação do meu podcast: Os Novenáticos,  a Ludmila. Outras duas pessoas que me incentivaram foi a Emmanuele, a Manu, e a Kênia. Elas que me deram esse apoio para fazer o podcast. No sentido de transbordar o que vim aprendendo durante os cursos que fiz a partir de 2020.  Eu acabei mergulhando na espiritualidade e estudando muito. Mas assim muita coisa eu acabei repetindo e repetindo. Chegou uma hora que precisava transbordar. Foi quando ganhei o livro: Para estar com Deus. Depois que eu terminei de ler o livro eu fiz um alguns episódios aqui para o podcast. Nos primeiros episódios principalmente sobre o exame de consciência e alguns episódios sobre a leitura da Bíblia.  O qual tem alguns passos para a leitura da Bíblia. E depois eu fiz Os Novenáticos kids lendo o evangelho de São Mateus. Fiz algumas leitura dos outros evangelhos nesse método que o padre Francisco Faus coloca: primeiro ler os evangelhos para depois criar uma sequência de leitura bíblica. Então esse livro aqui me ajudou muito no começo.

Hoje quando eu olho o passado eu falo: quem é essa louca começando agora?  Mas hoje cinco anos eu me sinto muito mais segura para fazer o podcast e tudo mais. E nesses últimos episódios que eu tenho postado nas últimas semanas eu estou fazendo sem roteiro. Então vocês vão ouvir muito vício de linguagem, né? Falar para vocês as coisas que eu acredito e assim fazer mais episódios sem a preocupação de montar roteiro, certo? Ou não?

Eu  quero muito convidar a vocês para os cinco anos dos Novenáticos. No dia 22 de junho, Os Novenáticos fará cinco anos que foi quando a gente começou Novena do Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo. Eu vou regravar essa novena agora e vou deixar a antiga pra vocês poderem comparar a diferença e também para vocês poderem participar. Para vocês poderem rezar junto conosco de novo. Essa novena é importante por que foi a primeira.

E tudo começou por conta desse livro: Para estar com Deus. Então eu reli esse livro agora de março para comecinho de maio. Então eu comecei em março porque eu leio um monte de coisa. E fiz essa releitura. Eu comentei um pouco do processo da tibieza no outro episódio.

Agora vamos falar desse livro. Então esse livro ele fala de como orar, como fazer a lectio divina,  a leitura do evangelho, nosso exame de consciência, a presença de Deus, o rosário, a missa e a confissão. Eu super recomendo esse livro para quem está entrando agora na igreja porque tem muita coisa e a ficamos com muitas dúvidas. Fazemos muita confusão no princípio. De várias coisas tem uma que vejo que confunde muito.

Que é sobre a leitura espiritual e a meditação. Então a leitura espiritual ele começa na página 70 mas eu vou ler a parte que ele fala dessa confusão. Que está na página 73:

"Não confunda a leitura espiritual com oração mental ou meditação. É muito frequente engano de pessoas que utilizam determinados para fazer a sua oração mental ou a sua meditação e acham que nisso consiste a leitura espiritual sem reparar confunde dois conceitos diferentes para oração mental que como víamos quase sempre vai unir a Você pode escolher cada dia textos de livros diferentes. O que achar que lhe podem servir de apoio para falar com Deus. Naquele dia pode muito. A leitura coisa diferente. Trata-se Ler em sequência quase que de estudar um livro inteiro completo que garanta o aprofundamento da sua formação. Não esqueça essa extinção." (p.73)

Esse livro aqui é um ótimo livro para A leitura meditativa tem livros que são feitos para isso que eles tem divisões de parágrafos com números que é o caso do caminho o caso diário da santa Faustina. Eles já estão feitos para fazer essa meditação eu vou abrir eles ao caso. Existem livros numerados que estão numerados facilitar a sua leitura, tá? Não significa que eles são livros para meditação especificamente.

Então aqui eu estou convidando pra vocês para ler o livro do padre Faus e que gostem bastante que nem eu gostei. E releiam depois de um tempo.

Outra coisa que eu queria comentar: a releitura. Porque eu li esse livro cinco anos atrás. E algumas coisas que ele fala aqui me passaram batidas. Esses cinco anos e assim depois assistindo pregações e aulas de outras pessoas. Eu fui vendo se os conteúdos e pensando que legal né? Esse pregador fazer isso e estava aqui neste livro do padre Faus. E quando percebi foi daqui que estava essa informação e eu li 5 anos atrás e não percebi isso. Então quando você faz essa releitura posso dizer que tens um outro olhar do mesmo livro. Então, vou guardar o livro com muito carinho. Quem sabe daqui cinco anos eu volto aqui indicando de novo mesmo livro para vocês. Porque foi assim me ajudou muito no começo dos Novenáticos e me ajudou muito agora. Depois que eu terminei a releitura desse livro eu pensei: na Quaresma de São Pedro e São Paulo vou refletir os mistérios do Rosário. Essa quaresma o objetivo é refletir a Igreja. E os mistérios do Rosário que ajudar-nos a refletir a vida de Jesus. E assim depois a gente consegue entender melhor o que é a igreja, o que é a noção da igreja. Então talvez a quaresma do ano que vem eu já faço algo mais voltado para igreja, certo? Mas esse ano eu achei importante reforçar: Quem é Cristo? E esse livro me ajudou muito. E assim como é bom a gente poder sentir que está com Deus e sentir que nos ajuda. Mesmo diante das nossas dificuldades, mesmo diante das crises, da tibieza, de ansiedade, de depressão ou outra crise que vocês conheçam. Como é bom saber que Deus está nosso lado. Mesmo que ele esteja quietinho esperando a gente passar pela prova. Como é bom.

Então recomendo esse livro e se você já leram. Vocês tem algum trecho preferido? Coloquem nos comentários

Um beijo, um abraço, a paz de Cristo esteja convosco e o amor de Maria.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Resenha: A Inocência do Padre Brown


Olá! Aqui é a Lih! Bem vindos aos Novenáticos! E no episódio de hoje vamos resenhar o livro A Inocência do Padre Brown de G.K. Chesterton.

"(...) Antes de descobrirmos como ele foi morto, talvez tenhamos que descobrir como ele veio parar aqui. (...)" (O jardim secreto)

Gilbert Keith Chesterton nasceu em 29 de maio de 1874 em Londres na Inglaterra. E faleceu em 14 de junho de 1936 em Buckinghamshire. Conhecido como príncipe do paradoxo escreveu inúmeros livros.

Os especialistas recomendam começar a ler a obra literária do Chesterton pelos contos do Padre Brown. São cinco livros e as histórias inéditas.

O primeiro é o livro a Inocência do Padre Brown foi publicado pela primeira vez em 1911. O livro tem 12 contos onde o nosso querido padre conta como solucionar as questões apresentadas. Pensando como o culpado. O meu conto favorito foi: "A cruz azul".

O padre também nos mostra que o arrependimento é possível. E que dentro de um confessionário ele pode conhecer diversas mentes.

Se um criminoso pode se arrepender e nós? Quantas vezes nos arrependemos do mal que fizemos, dos erros que cometemos e fomos para o confessionário. O padre não é só um bom ouvinte. O que está por trás do pecado? Se não resolver a raiz a pessoa vai continuar pecando o mesmo pecado. O tal "pecado de estimação". O padre também tem que ser um bom conselheiro e por vezes sugerir que a pessoa procure ajuda psicológica. E se ele for um criminoso? O padre deve aconselhá-lo a se entregar na polícia.

Lidar com a alma das pessoas é muito complexo. Chegar no seu influencer favorito e perguntar se tal coisa é pecado ou não. É muito complexo. A resposta será: depende. Pois o confessor tem que analisar toda a situação. E sua penitência será diferente da penitência do outro.

Vamos ao livro! Como eu li no e-book do box vou citar o conto em vez da página.

"(...)Somente um homem que não sabe nada sobre motores fala em dirigir sem gasolina; somente um homem que não sabe nada sobre a razão fala em raciocínio sem princípios sólidos e indiscutíveis.(...)" (A cruz azul)

"Quero dizer que nós aqui estamos do lado errado da tapeçaria", respondeu Padre Brown. "As coisas que acontecem aqui não parecem significar nada; elas significam algo em outro lugar. Em outro lugar, a retribuição virá para o verdadeiro infrator. Aqui, muitas vezes parece cair sobre a pessoa errada" (Os pecados do Príncipe Saradine)

"(...) Um impressor lê a Bíblia em busca de erros de impressão. Um mórmon lê sua Bíblia e descobre a poligamia; um cientista cristão lê a sua e descobre que não temos braços e pernas. (...)" (O sinal da espada quebrada)

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Um beijo, um abraço, que a paz de Cristo esteja contigo e o amor de Maria.💖